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sexta-feira, 29 de abril de 2011

As cores podem se transformar.


   A janela estava semiaberta, revelando o final de tarde sobre o pequeno bolo de aniversário. Apoiando a cabeça sobre os braços cruzados em cima da mesa, a Menina expressava sua tristeza em estar sozinha naquela data tão merecida de ser comemorada. O chapéu de cone preso aos seus cabelos soltos não representava adequadamente seu humor. As cores eram alegres demais.
   "Eles esqueceram...", matutava em sua mente "Como puderam esquecer?"
   Levantou-se lentamente e sem ânimo da cadeira de madeira e foi até a janela. Era enorme aquela vidraça, sobre a qual a Menina esbaforou e teve a opacidade suficiente para desenhar uma carinha triste. Olhou para a rua pouco movimentada e viu a padaria, a venda, o açougue, a farmácia... tudo funcionando normalmente, como se aquele dia fosse comum como todos os outros. Não era pra ser comum! O mundo deveria parar, poxa! Era seu aniversário!
   Sentiu um aperto no coração. Voltou-se para o bolo com lágrimas nos olhos e tirou o chapéu da cabeça. Ficou parada em frente à mesa, olhando para um relógio de parede, esperando o tempo passar. Ficou de pé mesmo, pois estava cansada de sentar-se naquela cadeira nem um pouco confortável.
   Trrrrrimmmmm, o telefone tocou. Seu coração acelerou e foi atendê-lo, sentindo uma pequena esperança florescer dentro do peito.
   - José? - disse a voz.
   - José? - perguntou a Menina.
   - Sim... José? É você?
   - E eu lá tenho voz de José?
   - Pois tem!
   - José não sou.
   - É!
   - Não sou!
   - Seja, por favor.
   - Não compreendo.
   - Preciso entregar uma correspondência para ti, José. Sou carteiro.
   - E desde quando carteiro liga para os destinatários de suas cartas?
   - Sou um carteiro especial.
   - Especial?
   - Sim, e como sou!
   - Bem, eu não acho justo receber a correspondência desse tal de José. Eu não sou ele.  
   - Em trinta segundos sua campanhia tocará.
   O telefone desligou e a Menina olhou para o mesmo relógio de parede. Contou. Foram trinta e um, ele e enganou.
   Dimmmmm-dommmmm, a campanhia tocou.
   No olho mágico, apenas uma caixa sobre o vaso de flores. A Menina abriu a porta e retirou a correspondência de José. Sobre ela, um bilhete.
   "Não à José... mas à ti, Mine".
   E então a Menina virou Mine. Agora ela tinha um nome e uma correspondência em mãos. Abriu curiosamente e dentro havia outro bilhete.
   "Para a escadaria, ande!"
   Foi um caminho pequeno até a esquina de seu corredor. Olhou para o lado e viu seus amigos, todos sorrindo, todos assoprando línguas de sogra, todos indo em sua direção... todos com os mesmos chapéus de cone. Dessa vez, as cores representavam os sentimentos dela.

    ___

    Mine, esse foi meu presente pra você. Não é algo sólido, nem algo que tenha me custado caro, mas o valor está nas palavras. Acho que você entende o significado delas e o poder que elas possuem, né? Espero que tenha gostado, pois criei esse pequeno texto com o meu coração.
    Se as coisas parecerem difíceis, em qualquer momento de sua vida, vista eu chapéu de cone e aguarde o tempo, pois só ele vai te mostrar que as cores desse chapéu podem se transformar.
    Feliz Aniversário, fofi, tudo de mais feliz pra você! Muitas aventuras, alegrias, pianinhos, gramas e, claro, textos... muitos deles!
    Um brinde de café para nós duas, com muito açúcar... Brrrmm!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Façam vocês a poesia...

Hoje posto essa música que significa muito pra mim.. e me traz muita nostalgia..
E peço que reflitam sobre o que essa música traz para vocês... 


Hoje, aqui neste café, a xícara servida é para você...
Seja o poeta de hoje.
Olhe uma foto antiga, lembre de algo da sua infância, e deixe fluir coisas positivas de você. 
Para que talvez, alguém distante, que já partiu, ou que você não vê há muito tempo...
Continue vivo e presente em seu coração...
(mine com 3 anos awn ♥)

Mine

quinta-feira, 17 de março de 2011

Pequenas coisas...


Eu me inspiro no que eu confio e eu confio no meu coração.
Se tu queres minha confiança, e conseguir conquistá-la,
Tu serás minha mais verdadeira inspiração.
Se alguma ação tua é confiável, me inspirarei nos teus passos até tal feito.
Se queres ser minha fonte de inspiração, terás primeiro, que conquistar minha confiança. 
Se queres que eu confie em ti, mas não queres ser minha base de inspiração...
Não terás muita escolha, pois minha inspiração é de graça, mas minha confiança é bem cara.
'Confiança, confiança confiança... Que importância tem isto?' Tu me dizes.
Confiança é a responsabilidade de cuidar do outro, tendo o mesmo em troca.
E em que tudo nela se baseia em dedicação ao próximo e muito cultivo.
Se tu me confia tua confiança, quem sou eu para negar-te a minha?
Se tu me confia tua amizade, quem sou eu para negar-te a minha?
Se tu tiveres minha confiança e eu tiver a tua, 
E se tu tiveres minha amizade e eu tiver a tua.
Quem sou eu para negar-te o meu amor?


Texto baseado no livro infantil "O pequeno Príncipe" de Antoine de Saint-Exupéry.


"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."
(Photo: by mine)



quarta-feira, 9 de março de 2011

Ao meu herói e bandido.


Sempre estive tão perto e tão longe de você. Se durante todos esses anos meu revólver esteve carregado de palavras chulas ao dirigir-me à você, agora sinto uma imensa vontade de carregá-lo com balas verdadeiras e atirar contra meu próprio coração. Agora estou vivendo tudo o que eu desejei para você, pai. Sofro de uma maneira inexplicável. Um oceano de pura culpa toma tudo o que resta em mim e sai pelos meus olhos compulsivamente.

Pai, ouça-me, por favor! Sei que você não teve culpa por aquele acidente no qual mamãe nos deixou. Eu fui infantil, eu fui infantil, infantil... infantil. Minha mente ignorante só percebeu isso agora, pai... mas agora isso já não importa. Nada nesse mundo vai apagar todas as vezes em que te chamei de assassino e cuspi toda aquela fúria sobre ti.

Se, ao menos, eu tivesse mais uma chance para te dizer tudo o que sempre esteve trancado dentro de mim, eu me ajoelharia sobre seus pés e imploraria por seu perdão... as lágrimas sobre meu rosto seriam tantas que as que o cobrem nesse momento não passariam de gotas invisíveis. E você, tirando seus óculos e respirando fundo, sorriria para mim lá de cima, esticando seus braços para que eu pudesse me levantar. Meus olhos, então, se voltariam para sua imagem e você me olharia de volta, afirmando que o passado estaria apagado de uma vez por todas e que estaríamos juntos como nunca pudermos estar.

Mas eu estou aqui, pai, sentada nesse meio-fio sujo, chorando como nunca chorei antes. Todas as pessoas que por aqui passam me olham curiosas, como se devessem saber sobre o que se passa dentro do meu coração. Oh, mas elas saberão. Saberão amanhã, quando eu virar notícia de jornal por, simplesmente, tentar unir-me ao meu herói e bandido.

______

Texto inspirado por:




Manie.

Mine & Manie


Mine & Manie

quarta-feira, 2 de março de 2011

Momento Poeta.

Eu vejo
Foto tirada por Naiara (Melhor amiga da Mine) do olho da Mine.

Eu vejo o caminho para onde vou, e qual deixei para trás,

Vejo qual caminho tive que deixar, e qual tive que seguir,
Vejo a forma como os caminhos se cruzam e como eu desvio de alguns
Eu vejo que alguns caminhos se desviam de mim propositalmente...
E que alguns parecem implorar para que eu os siga...
Vejo que em alguns caminhos, caminharei sozinha,
E em alguns, companhia não me faltará...
Alguns caminhos me mostrarão mentiras,
Outros, umas verdades...
Eu só espero que os caminhos não venham a desabar.
Mas se desabar, não é tão mal...
Pois em qualquer caminho, o que não me falta,
É força para levantar.



Mine.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Viver e amar

"Não se vive o ontem nem o amanhã, só se vive o hoje. O ontem já está vivido, o amanhã nunca virá, pois quando chegar a vez dele, este será o hoje, e o amanhã jamais será."
(Mine)




♫♪ 'É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há...' ♫♪


Mine

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Destino e Tempo

Às vezes, quando esperamos muito para que algo aconteça, apenas deixamos nas mãos de algo a que denominamos 'destino' ou 'tempo' e não tomamos nenhuma providência, que não seja esperar. 

Esperar pelo quê? Por algo que nem conheçemos, que nunca vivemos, e que não temos experiência nem controle algum, esperar pelo futuro, por mais próximo que seja, sem fazer absolutamente nada? Perdi as contas de quantas vezes me decepcionei por esperar algo, e esse mesmo não acontecer. 
Alguns adotam a filosofia de que 'se eu não espero, não me decepciono', bah, viver sem nenhuma expectativa? Com um pé atrás sempre? Nunca se doando por inteiro? Não considero isso uma vida.
Mas a quem eu culpo por me decepcionar? Ao destino, que me contrariou, e me deixou contrariada? Ou ao tempo.. seria esse o principal responsável por tudo?

Creio que, na verdade o tempo não é responsável por nada, o tempo não cura, o tempo não faz você esquecer nada, e o tempo não é o responsável por algo acontecer, ou não. Muito menos o destino. 

Quem cura suas mágoas, quem faz você esquecer as coisas, quem é responsável por algo acontecer, ou não, é você, sou eu, e todas as pessoas.

O tempo não esquece de nada.
O destino não controla nada.

Nós nos esquecemos de tudo, superamos situações, e fazemos tudo acontecer. E por mais que seja ruim ou bom, não nos damos o mínimo mérito. Por nada.

E o lugar do tempo e do destino, aonde ficam? 

Que eu saiba, o tempo apenas sabe quando você esquecerá, quando você irá superar, e quando você tomará atitudes. Mas por mais confuso que seja, e por mais que sejamos imprevisíveis, o tempo apenas sabe o 'quando', o 'porquê' e o 'como' quem sabemos somos nós.
E o destino? O destino, assim como a palavra mesmo diz, é o lugar de chegada, é o ponto final. Eu tenho como ponto de vista, que o maior destino da vida, é a morte, e o que importa mesmo é o caminho que eu faço para chegar lá.

Esse é o verdadeiro sentido da vida para mim, eu esqueço do tempo, pois no fundo eu sei exatamente a hora de agir. E o destino, ah, eu me importo com isso quando chegar lá...

Esperar acontecer não faz acontecer, mas para fazer acontecer não precisa esperar.


Your destination can be as fabulous as that of Amelie, simply take care of your way there.

Mine

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Apenas imagine


Eu sou do tipo de pessoa que ainda chora ao assistir à reportagens comoventes na TV, seja sobre donas de casa que tentaram salvar o cachorrinho da enchente ou alunos da periferia que passaram em medicina e, no dia seguinte, foram baleados na porta de casa.
Por isso, essa essência faz com que eu ainda sonhe com o famoso e, talvez, utópico mundo melhor.
É, eu sonho com um mundo mais cheio de amor, com as pessoas de mãos dadas ao redor dele, amando umas às outras. Sendo assim, a religião seria motivo de alegria e não de guerras, como vem sendo nos últimos tempos. Os países divididos por nome e bandeira seriam, no fundo, uma coisa só. Japoneses seriam como alemães que seriam como negros que seriam como brancos. Dois homens se beijando seria o mesmo que um casal de mocinha e mocinho de mãos dadas no meio da rua. Ah, e claro, não existiria fome, nem miséria.

Agora você diz que eu estou sonhando demais... mas eu não sou a única. E, se você se juntar a mim, o mundo será como um só.

Baseado em Imagine, de John Lennon

Por Manie.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Olha só!

... Olha só! Como ele pôde? Se engraçar assim pro meu lado?

... Olha só! Como ele consegue chamar a minha atenção e fazer com que eu me sinta estranha?

... Olha só! Como ele faz com que eu só pense nele?

... Olha só! Como ele é tão importante e essencial pra mim...

... Olha só! Como ele me magoou e me deixou sem rumo...

... Olha só! Como ele foi embora e me deixou sem nada...

... Olha só! Como ele sumiu e me fez desacreditar...

Que um dia, o amor, fosse voltar.

... Olha só! Como ele pôde voltar, se ele não existia?

... Olha só! Como ele ousou me surpreender se ninguém mais podia?

O amor, ah o amor... Esse pode, consegue, faz, é, magoa, vai embora, some e volta... Ah se volta, só precisa esperar.



Mine

A primeira gota de café: sobre música.

   A Música é uma espécie de chuva de navalhas indolores que adentram nossos ouvidos, invadem as nossas almas e tocam os nossos corações. Ao mesmo tempo em que nos faz feliz, pode também acentuar nossa tristeza, a ponto de fazer-nos chorar ou pular – e ela também chora e pula por nós, quando não estamos tão dispostos assim. Ela enfeita o mundo e o entrelaça por entre suas notas musicais... E nós somos pequenas notinhas em uma grande partitura.

"Sem a música, a vida seria um erro." (Nietzsche)


Por Manie.