"Eles esqueceram...", matutava em sua mente "Como puderam esquecer?"
Levantou-se lentamente e sem ânimo da cadeira de madeira e foi até a janela. Era enorme aquela vidraça, sobre a qual a Menina esbaforou e teve a opacidade suficiente para desenhar uma carinha triste. Olhou para a rua pouco movimentada e viu a padaria, a venda, o açougue, a farmácia... tudo funcionando normalmente, como se aquele dia fosse comum como todos os outros. Não era pra ser comum! O mundo deveria parar, poxa! Era seu aniversário!
Sentiu um aperto no coração. Voltou-se para o bolo com lágrimas nos olhos e tirou o chapéu da cabeça. Ficou parada em frente à mesa, olhando para um relógio de parede, esperando o tempo passar. Ficou de pé mesmo, pois estava cansada de sentar-se naquela cadeira nem um pouco confortável.
Trrrrrimmmmm, o telefone tocou. Seu coração acelerou e foi atendê-lo, sentindo uma pequena esperança florescer dentro do peito.
- José? - disse a voz.
- José? - perguntou a Menina.
- Sim... José? É você?
- E eu lá tenho voz de José?
- Pois tem!
- José não sou.
- É!
- Não sou!
- Seja, por favor.
- Não compreendo.
- Preciso entregar uma correspondência para ti, José. Sou carteiro.
- E desde quando carteiro liga para os destinatários de suas cartas?
- Sou um carteiro especial.
- Especial?
- Sim, e como sou!
- Bem, eu não acho justo receber a correspondência desse tal de José. Eu não sou ele.
- Em trinta segundos sua campanhia tocará.
O telefone desligou e a Menina olhou para o mesmo relógio de parede. Contou. Foram trinta e um, ele e enganou.
Dimmmmm-dommmmm, a campanhia tocou.
No olho mágico, apenas uma caixa sobre o vaso de flores. A Menina abriu a porta e retirou a correspondência de José. Sobre ela, um bilhete.
"Não à José... mas à ti, Mine".
E então a Menina virou Mine. Agora ela tinha um nome e uma correspondência em mãos. Abriu curiosamente e dentro havia outro bilhete.
"Para a escadaria, ande!"
Foi um caminho pequeno até a esquina de seu corredor. Olhou para o lado e viu seus amigos, todos sorrindo, todos assoprando línguas de sogra, todos indo em sua direção... todos com os mesmos chapéus de cone. Dessa vez, as cores representavam os sentimentos dela.
___
Mine, esse foi meu presente pra você. Não é algo sólido, nem algo que tenha me custado caro, mas o valor está nas palavras. Acho que você entende o significado delas e o poder que elas possuem, né? Espero que tenha gostado, pois criei esse pequeno texto com o meu coração.
Se as coisas parecerem difíceis, em qualquer momento de sua vida, vista eu chapéu de cone e aguarde o tempo, pois só ele vai te mostrar que as cores desse chapéu podem se transformar.
Feliz Aniversário, fofi, tudo de mais feliz pra você! Muitas aventuras, alegrias, pianinhos, gramas e, claro, textos... muitos deles!
Um brinde de café para nós duas, com muito açúcar... Brrrmm!

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